Uma pegadinha com o Princípio de Arquimedes

Dá para flutuar um navio em um copo d'água?

Se você abrir qualquer livro didático de Física, vai encontrar afirmações como estas:

“Para um navio flutuar, o volume submerso deve deslocar um peso de água exatamente igual ao peso de todo o aço, carga, combustível e tripulação da embarcação;”

“Para que um navio flutue, é necessário que o peso da água deslocada seja igual ao seu próprio peso;”

“O volume de água deslocado pelo navio precisa ter uma massa igual à sua massa total; se isso não ocorrer, ele afunda.”

Parece incontestável, certo? Não, está tudo errado!


A pegadinha aqui está na palavra "deslocar" e na falsa ideia de que essa água precisa existir fisicamente e ser empurrada para longe.

Na realidade, o que o navio precisa é ocupar um volume tal que a massa da água que caberia ali seja igual à massa total do navio. Quer uma prova? Vamos a um experimento mental :

Imagine um compartimento (um dique seco) construído exatamente com o formato do casco de um enorme navio cargueiro, mas ligeiramente maior — não mais do que um ou dois milímetros de folga de cada lado. Veja a imagem da esquerda da figura.

Agora, despeje apenas um copo de água dentro desse compartimento vazio e coloque o supernavio lá dentro. Ao entrar, o casco vai espremer a água contra as paredes milimétricas, fazendo o nível do líquido subir até a borda. E adivinhe? O navio vai flutuar perfeitamente!

Como isso é possível se o copo de água pesa quase nada perto das milhares de toneladas do navio? É que a força de empuxo surge da pressão que a água exerce no casco, e não de quanta água foi empurrada para o lado.

Portanto, a definição mais precisa que os livros deveriam usar é:

"Um navio flutua quando a água que ocuparia seu volume submerso tem massa igual à sua.




 


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